“Government is essentially the negation of liberty.” — Ludwig von Mises (“O governo é essencialmente a negação da liberdade.”) “The institution of the state establishes a socially legitimized and sanctified channel for bad people to do bad things.” — Murray N. Rothbard (“A instituição do estado estabelece um canal legitimado e ungido para pessoas más fazerem coisas ruins.”) “[The state is] an institution run by gangs of murderers, plunderers, and thieves, surrounded by willing executioners, propagandists, sycophants, crooks, liars, clowns, charlatans, dupes, and useful idiots — an institution that dirties and taints everything it touches.” — Hans-Hermann Hoppe (“[O estado é] uma instituição conduzida por gangues de assassinos, saqueadores e ladrões, tendo à sua volta dispostos executores, propagandistas, patifes, vigaristas, mentirosos, palhaços, charlatões, imbecis e idiotas úteis — uma instituição que suja e macula tudo que toca.”) “Socialismo es todo sistema de agresión institucional contra el libre ejercicio de la acción humana o función empresarial.” — Jesús Huerta de Soto

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

O Nosso Frágil Planeta (Walter E. Williams)


(11.12.2013)

 

Examinemos algumas afirmações que refletem uma visão que se pensa ser absolutamente inquestionável, além de quaisquer possibilidades de questionamento. “O mundo em que vivemos é lindo, mas frágil.” “A terceira pedra a partir do Sol é um oásis frágil.” Aqui estão algumas citações que apareceram no Dia da Terra: “Lembre-se de que a Terra precisa ser salva todos os dias.” “Lembre-se da importância de cuidar do nosso planeta. É o único lar que temos!” Tais declarações, juntamente com previsões apocalípticas, são ferramentas rotineiras para os ambientalistas — tanto os extremistas quanto os não extremistas. Pior ainda se mostra o fato de que essa doutrinação de “Terra frágil” serve de alimento mental e intelectual para os nossos jovens desde o jardim-de-infância até a faculdade. Analisemos, portanto, o quão frágil a Terra realmente é.

A erupção de 1883 do vulcão Krakatoa, localizado na atual Indonésia, teve a força de 200 megatons de TNT. Isso se demonstra o equivalente a 13.300 bombas atômicas de 15 quilotons, do tipo que destruiu Hiroshima em 1945. Antes dessa erupção, ocorreu em 1815 a erupção do vulcão Tambora, também na atual Indonésia; essa erupção detém o recorde de maior erupção vulcânica já conhecida. O vulcão lançou tantos detritos na atmosfera, bloqueando a luz solar, que 1816 ficou marcado como o “Ano Sem Verão” ou o “Verão que Nunca Ocorreu”. Isso provocou perdas totais de safras agrícolas e de animais para abate em grande parte do Hemisfério Norte, causando a pior fome do século XIX. A erupção de 535 d.C. do vulcão Krakatoa apresentou tanta força que bloqueou grande parte da luz e do calor do Sol por dezoito meses — e há quem diga que essa erupção deu origem à Idade das Trevas. Geofísicos estimam que somente três erupções vulcânicas — Indonésia (1883), Alasca (1912) e Islândia (1947) — expeliram mais dióxido de carbono e dióxido de enxofre na atmosfera que todas as atividades da humanidade em toda a nossa história.

Como a nossa frágil Terra tem lidado com as enchentes, os dilúvios, as inundações? A China é provavelmente a capital mundial das inundações gigantescas. A enchente do Rio Amarelo de 1887 custou entre 900.000 e 2 milhões de vidas. As inundações de 1931 na China foram ainda piores, causando um número estimado de mortos entre 1 milhão e 4 milhões. Mas a China não detém o monopólio das inundações. Entre 1219 e 1530, os Países Baixos (Holanda) vivenciaram enchentes que custaram cerca de 250.000 vidas.

E o que dizer do impacto dos terremotos que assolam a nossa frágil Terra? Ocorreu o terremoto de Valdivia, no Chile, em 1960, que chegou a 9,5 na escala Richter, uma força equivalente a 1.000 bombas atômicas explodindo ao mesmo tempo. O mortífero terremoto de 1556 na província chinesa de Shaanxi devastou uma área de 520 milhas (836,859 quilômetros). Temos o mais recente terremoto de magnitude 9,1 de dezembro de 2004 no Oceano Índico, o qual provocou o tsunami mortal do Boxing Day (dia seguinte à noite de Natal; 26.12), assim como um mortífero terremoto de magnitude 9,0 em março de 2011 que atingiu o leste do Japão.

O nosso frágil planeta já teve de encarar terrores provenientes do espaço sideral. Há dois bilhões de anos, um asteroide atingiu a Terra, criando a cratera Vredefort, na África do Sul. Ela tem um raio de 118 milhas (189,903 quilômetros), configurando a maior cratera de impacto do mundo. Em Ontário, Canadá, existe a Bacia de Sudbury, resultante de uma queda de meteoro ocorrida 1,8 bilhão de anos atrás, que possui um diâmetro de 81 milhas (130,357 quilômetros), configurando a segunda maior estrutura de impacto na Terra. A cratera da Baía de Chesapeake, na Virgínia (EUA), é um pouco menor, com cerca de 53 milhas de largura (85,295 quilômetros). Além disso, existe a famosa, mas insignificante Cratera de Barringer, no Arizona (EUA), que não possui nem mesmo uma milha de largura (uma milha equivale a 1,6 quilômetros).

Assinalei apenas uma ínfima parcela dos eventos cataclísmicos que têm atingido a Terra — deixando de mencionar categorias inteiras, como tornados, furacões, precipitações de raios, incêndios, nevascas, deslizamentos de terra e avalanches. Apesar desses eventos cataclísmicos, a Terra sobreviveu. A minha pergunta é: Qual desses poderes da natureza pode ser igualado pelo ser humano? Por exemplo, a humanidade consegue reproduzir os efeitos poluentes da erupção vulcânica de 1815 do Tambora ou o impacto do asteroide que aniquilou os dinossauros? É o ápice da arrogância achar que a humanidade possa provocar mudanças paramétricas significativas na Terra ou possa chegar ao patamar das forças destrutivas da natureza.

Ocasionalmente, os ambientalistas acabam se entusiasmando e passam a revelar a sua verdadeira agenda, a sua real intenção. Barry Commoner declarou: “O capitalismo é o inimigo número um da Terra.” Leo Marx, professor do Amherst College, de Massachussets, EUA, disse: “Tendo em vista razões ecológicas, a causa em prol do governo mundial está além de quaisquer questionamentos, dispensando debates.” Com o declínio e o colapso da URSS, o comunismo perdeu considerável respeitabilidade, sendo agora reempacotado como ambientalismo e progressismo.

***

(Clique aqui para baixar o texto em formato PDF.)

domingo, 16 de abril de 2023

Mais um Abuso Estatal (Marcelo Werlang de Assis)



O artigo foi publicado no site do Instituto Rothbard. Confira aqui.

Clique aqui para baixar o texto em formato PDF.

terça-feira, 15 de novembro de 2022

O Governo Onipotente (Marco Batalha)




(Clique aqui para baixar o texto no formato PDF.)


O enfraquecimento do dinheiro torna o poder estatal praticamente ilimitado.


No seu livro Da Aurora à Decadência, o historiador Jacques Barzun identifica a Primeira Guerra Mundial como o ponto crucial para o início da decadência ocidental. Antes, as pessoas podiam viver as suas vidas livremente, colhendo os frutos ou sofrendo as consequências das suas ações. Depois, as pessoas passaram a ver o estado como um ente que satisfaria os seus desejos e as protegeria de más consequências. Social, econômica e politicamente, o papel do estado foi redefinido como o de um gênio da lâmpada. Bastava as pessoas votarem para terem todos os seus desejos atendidos. Um outro historiador, Élie Halévy, também diz que a era das tiranias se iniciou em 1914, com a Primeira Guerra, quando houve uma nacionalização econômica e uma reorganização da sociedade para um modelo coletivista.

Até então, a solidez do dinheiro restringia o tamanho do estado, já que este precisava tributar diretamente as pessoas para se financiar. Depois, com a adoção de um dinheiro fraco, o estado podia comprar alianças e popularidade sem ter de mostrar a conta para a população. Bastava inflacionar a moeda para financiar qualquer esquema que lhe fosse conveniente. Os efeitos só seriam sentidos depois, quando houvesse um aumento generalizado nos preços. Quando isso acontecia, os políticos podiam colocar a culpa em outros entes, como banqueiros, empresários, estrangeiros ou facções políticas rivais. Aliás, o dinheiro fraco é particularmente deletério em uma democracia, na qual os políticos encaram pressões para se reelegerem. Os eleitores tendem a preferir justamente os que prometem almoços grátis impossíveis.

O dinheiro fraco está na raiz das ilusões modernas dos eleitores e dos coitados que tiveram a infelicidade de estudar economia em universidades. Eles acreditam que as ações estatais não têm custos de oportunidade e que o Leviatã pode usar uma varinha-de-condão para moldar a realidade a seu bel-prazer. Seja a redução da pobreza, a oferta de educação “pública, gratuita e de qualidade”, um sistema universal de saúde ou coisas afins , eles acreditam que a lei da oferta e procura pode ser ignorada. Eles vivem em uma terra de sonhos, em que essas demandas não têm custos reais. Eles creem que tudo que seja necessário para atingir esses objetivos é “vontade política” ou “escolher o líder certo” ou “acabar com a corrupção”. Eles ficariam chocados caso descobrissem que políticos não podem conjurar isso do nada.

Agora, imagine se descobrissem que tudo isso precisa ser proporcionado por pessoas reais que têm de acordar cedo para produzir os almoços supostamente grátis. Ainda que nenhum político tenha sido eleito por reconhecer essa realidade, a urna de votação não pode eliminar a escassez dos recursos. Quando o estado oferece algo, não está melhorando a economia está apenas a planejando centralmente, com as terríveis consequências que conhecemos tão bem. O dinheiro fraco foi uma bênção para os déspotas, pois lhes permitiu camuflar os custos do aumento da base monetária. Eles passaram a se financiar via inflação, deixando a conta para a população, que via o seu poder de compra evaporar e não associava isso à expansão monetária. E é isso que experimentamos neste mundo fiduciário em que vivemos.

Não é por acaso que, olhando para os eventos mais tirânicos da história, encontramos o fato de todos ocorrerem sob um sistema monetário controlado pelo estado com mãos-de-ferro e constantemente inflacionado para financiar as operações governamentais. Há uma boa razão pela qual tiranos do porte de Stalin tenham governado em períodos de dinheiro fraco, que era impresso à vontade para viabilizar os seus mandos e desmandos. É a mesmíssima razão pela qual as sociedades que os pariram não promoveram ninguém do mesmo nível quando estavam sob um sistema monetário forte. Note que nenhum desses déspotas enfraqueceu o dinheiro depois de ter assumido o poder. O dinheiro teve de ser enfraquecido antes para que eles pudessem assumi-lo. Com o dinheiro fraco, ficou muito fácil a tomada do poder.

Esse enfraquecimento do dinheiro sempre acontece com promessas de almoços grátis: de  educação, saúde, segurança e todos os tipos de “direitos” possíveis e imagináveis. Um canto de sereia... O dinheiro fraco torna o poder do Leviatã praticamente ilimitado, com consequências terríveis para os indivíduos. A política torna-se o centro das suas vidas, drenando boa parte dos recursos e da energia da sociedade para um jogo de soma-zero, em que os vassalos precisam perder para que os suseranos ganhem. Já um dinheiro sólido por si só limita o poder estatal, permitindo à grande maioria dos indivíduos um alto grau de liberdade nas suas vidas pessoais, qualquer que seja o regime sob o qual vivam. Se o dinheiro é fraco, temos o exato oposto. Com o crescimento do poder estatal, mais e mais liberdades individuais são tolhidas.

Neste momento, vale a pena retornarmos às ideias de John Maynard Keynes para entender as motivações do sistema econômico que ele propõe o sistema sob o qual temos vivido nas últimas décadas. Em um artigo intitulado “O Fim Do Laissez-Faire”, ele descreve como deveria ser o papel do estado. Keynes defende que o estado não deve se preocupar com “coisas triviais como liberdades individuais”, mas sim com o completo controle socioeconômico. Para isso, o estado deve: (1) controlar a moeda e o crédito por meio de uma instituição central; (2) decidir o nível de poupança da sociedade; e (3) determinar o tamanho populacional ideal. Escreve ele:

 

Uma política nacional sobre o tamanho populacional, se maior ou menor que o atual, é de suma importância. Tendo a definido, podemos discutir como colocá-la em prática.

 

Em outras palavras, a concepção keynesiana de estado, da qual vem a doutrina moderna de bancos centrais e que molda a grande maioria dos livros acadêmicos econômicos, origina-se de uma pessoa que queria o estado controlando dois aspectos fundamentais das nossas vidas: primeiro, das decisões econômicas envolvendo dinheiro, crédito, poupança e investimentos, o que implica centralização totalitária da alocação de capital, destruição dos empreendimentos individuais e dependência do governo para a subsistência; e, segundo, controle da qualidade e da quantidade populacional. Só a ponerologia mesmo para explicar isso. Em um sistema assim, o dinheiro deixa de funcionar como um sistema de informação para otimizar a produção e passa a ser um programa de fidelidade ao estado. É nesse sistema que hoje vivemos.


[Este texto baseia-se em um trecho do sétimo capítulo do livro “The Bitcoin Standard”, de Saifedean Ammous.]

 

sábado, 1 de outubro de 2022

A Abordagem de Tom Brady para Viver uma Vida de Maestria (Barry Brownstein)


Clique aqui para baixar o texto (formato PDF). Tradução minha.

(Publicado em: 23.04.2017)

 

No seu livro clássico sobre treino e prática, Mastery: The Keys to Success and Long-Term Fulfillment [“Maestria: As Chaves para o Sucesso e a Realização a Longo Prazo”], George Leonard observa que muitos de nós se condicionaram a achar que a vida seja uma “série interminável de momentos de clímax”.

 

A vida não é só títulos de Super Bowl

 

Escrevendo no início dos anos 1990, Leonard fez esta observação sobre comerciais de televisão: “A corrida é disputada e vencida; jovens bonitos movimentam-se em êxtase para cima e para baixo enquanto pegam latas geladas de Coca-Cola diet. Pessoas são mostradas trabalhando nos seus escritórios por somente um segundo e meio, depois já é hora de celebrar e confraternizar.”

A mensagem desses comerciais se resume a soluções rápidas para os problemas da vida. “Uma epifania segue outra. Uma fantasia é ultrapassada pela próxima. Um clímax empilha-se noutro clímax. Não há platô”, constata Leonard.

Se você olha para a vida de Tom Brady através de uma lente superficial, ela parece ser uma sequência de momentos de clímax, um após o outro. Na exígua lista dos melhores quarterbacks de todos os tempos, Brady tem cinco títulos de Super Bowl e quatro prêmios de MVP de Super Bowl (“most valuable player” “jogador mais valioso” ou, simplesmente, “destaque da final”), além de uma família amorosa. [Atualmente, em 2022, ele ostenta sete títulos de Super Bowl e cinco prêmios de MVP de Super Bowl.]

Se você acredita que o segredo do sucesso de Brady é o seu talento ilimitado, você pode estar perdendo o ponto principal da história de Tom Brady.

Quando Brady, em 1996, matriculou-se na Universidade de Michigan, ele era apenas o sétimo na fileira de quarterbacks da instituição. O tempo de jogo era tão escasso que Brady contratou um psicólogo esportivo para ajudá-lo a superar a sua frustração, a sua ansiedade.

Saindo da faculdade, ele foi selecionado somente na sexta rodada do draft da NFL de 2000. Poucos esperavam que Brady se tornasse um excelente quarterback profissional. Ele começou a sua carreira no New England Patriots apenas como o quarto na fileira dos quarterbacks.

 

Que dor você quer aguentar?

 

Ao contrário de Brady, alguns de nós lamentam as nossas vidas. Para qualquer um que escute, recitamos as nossas histórias de como e por que as coisas não deram certo para nós.

Estamos muito focados num objetivo, mas não o suficiente no esforço necessário para alcançar esse objetivo?

The Most Important Question of Your Life[“A Questão Mais Importante da Sua Vida”] é um ensaio de Mark Manson. Nele, o autor compartilha o seu falso sonho de se tornar uma estrela do rock, confessando:

Eu estava apaixonado pelo resultado uma imagem de mim no palco; pessoas vibrando e aplaudindo; eu agitando; eu derramando o meu coração naquilo que está sendo tocado , mas não estava apaixonado pelo processo. E, por causa disso, falhei. Repetidamente. Inferno, eu nem mesmo me esforcei o suficiente para falhar. Na prática, nem mesmo tentei.

O sonho de Manson era “falso” porque ele não estava pronto para pagar o preço do sucesso. “O que determina o seu sucesso não é: ‘O que você deseja desfrutar?’. A questão é: ‘Que dor você quer aguentar?’ (...) [Se] você deseja os benefícios de algo na vida, também deve querer os custos”, escreve Manson.

 

Amando o platô

 

Aos 39 anos [agora, em 2022, Brady está com 45 anos], muito depois da idade em que a maioria dos jogadores de futebol americano costuma se aposentar, Tom Brady ainda está disposto a pagar o preço de alcançar a maestria. A dieta rigorosamente orgânica de Brady consiste em vegetais, grãos integrais e proteínas magras. Nada de café. Nada de laticínios. Para evitar inflamações no seu corpo, Brady fica longe de alimentos da família das solanáceas, como tomates e batatas.

Dedicado à sua família, Brady não se sente atraído pela cena social. Ele encontra-se na cama por volta das nove horas da noite e não toma bebida alcoólica. No treinamento, evita o levantamento de pesos pesados em prol de exercícios de flexibilidade. Isso, acredita Brady, reduz as suas chances de lesões nos jogos.

Fergus Connolly, diretor de desempenho de futebol americano da Universidade de Michigan, está certo de que, “ao nível de Brady, a maneira como você cuida dos seus genes importa mais que a sua composição genética”.

No campo e fora dele, Brady parece ser inabalável. Ele dá crédito a uma filosofia que impede permitir que as ações dos outros o perturbem. Será que essa filosofia aumenta o seu desempenho nos dias de jogo tanto quanto a longevidade da sua carreira no futebol americano? 

Mesmo depois de ganhar o Super Bowl, nas palavras de Leonard, “sempre há amanhã, amanhã e amanhã”. A visão de Leonard é a seguinte: “Se a nossa vida é uma vida boa, uma vida de maestria, a maior parte dela será despendida no platô.”

Leonard se pergunta: Muitas pessoas podem aprender a valorizar o platô? “Caso contrário”, escreve ele, “uma grande parte [das nossas vidas] pode muito bem ser despendida em tentativas inquietas, distraídas em última análise, autodestrutivas para escapar do platô.”

Michelângelo famosamente disse: “Se as pessoas soubessem o quanto eu trabalhei para obter a minha maestria, ela sequer pareceria tão maravilhosa.”

Estamos nos esforçando para alcançar a maestria nas nossas carreiras ou estamos apenas esperando um clímax chegar? Estamos confiando demais nas nossas boas intenções e negligenciando o trabalho duro mundano que possibilita uma vida gratificante?


domingo, 18 de setembro de 2022

Trecho do livro “O Tigre de Sharpe”, de Bernard Cornwell

(Clique na imagem para melhor visualização)


“Sem comércio não há riqueza, e sem riqueza não há sociedade na qual valha a pena viver. Sem comércio, recruta Sharpe, seríamos apenas feras na lama. Vale a pena lutar pelo comércio, embora o bom Deus saiba que não apreciamos muito essa atividade. Nós celebramos reis, honramos grandes homens, admiramos aristocratas, aplaudimos atores, derramamos ouro em pintores. Às vezes até recompensamos soldados e prisioneiros. Mas sempre desprezamos os mercadores. Por quê? É a riqueza do mercador que move os moinhos, Sharpe. Essa riqueza tece roupas, bate martelos, sopra velas de navios, abre estradas, forja ferro, cultiva trigo, assa pão e constrói igrejas, chalés e palácios. Sem comércio e sem Deus nada seríamos.”

— Coronel McCandless, personagem do livro O Tigre de Sharpe, de Bernard Cornwell


sábado, 17 de setembro de 2022

Escravidão Privada vs. Escravidão Pública (Hans-Hermann Hoppe)








A diferença fundamental entre a propriedade privada governamental (de baixa preferência temporal) e a propriedade pública governamental (de alta preferência temporal) pode ser ilustrada pela instituição da escravidão, contrastando os escravos de propriedade privada — conforme existiam, por exemplo, na América antes da guerra — com os escravos de propriedade pública — conforme existiam, por exemplo, na antiga União Soviética e no seu império no Leste Europeu.

Assim como os escravos, na condição de propriedade privada, eram ameaçados com punições caso tentassem fugir, em todo o antigo Império Soviético a emigração foi banida e punida como uma ofensa criminal — caso necessário, aqueles que tentavam fugir eram fuzilados. Além disso, normas antivadiagem existiam em todo lugar, e os governos podiam atribuir qualquer tarefa — bem como todas as recompensas e todas as punições — a qualquer cidadão. Daí a classificação do sistema soviético como escravatura. Entretanto, ao contrário de um proprietário privado de escravos, os donos de escravos da Europa Oriental — de Lênin a Gorbachev — não podiam vender ou alugar os seus súditos em um mercado de trabalho e privadamente apropriar as receitas decorrentes da venda ou do aluguel do seu “capital humano”. Daí a classificação do sistema como escravidão pública (ou socialista).

Sem mercados de escravos e de mão-de-obra escrava, as coisas são ainda piores — e não melhores — para os escravos; inexistindo preços para os escravos e para a sua mão-de-obra, um proprietário de escravos não pode mais alocar racionalmente o seu “capital humano”. Ele não é capaz de determinar o valor e a escassez das suas várias e heterogêneas peças de capital humano; e não pode determinar o custo de oportunidade do uso desse capital em qualquer emprego e muito menos compará-lo com a receita correspondente. Portanto, má alocação, desperdício e “consumo” de capital humano duradouros são os resultados. 

A evidência empírica indica tudo isso. Conquanto ocasionalmente acontecesse o fato de um proprietário privado de escravos matar um escravo seu — o que significa o máximo “consumo” de capital humano —, a escravidão socialista na Europa Oriental resultou no assassinato de milhões de civis. Sob a escravidão de propriedade privada, a saúde e a expectativa de vida dos escravos aumentaram em geral. No Império Soviético, os padrões de saúde deterioraram-se constantemente, e a expectativa de vida realmente caiu nas últimas décadas. O nível de treinamento prático e de educação dos escravos privados aumentou em geral. O dos escravos socialistas diminuiu. A taxa de reprodução entre os escravos de propriedade privada era positiva. Entre as populações de escravos da Europa Oriental, ela era normalmente negativa. Eram altas as taxas de suicídio, de autoincapacitação, de rompimentos familiares, de promiscuidade, de filhos “ilegítimos”, de defeitos congênitos, de doenças venéreas, de aborto, de alcoolismo e de comportamento bruto ou estúpido entre os escravos privados. Mas todas essas taxas de “consumo de capital humano” eram ainda maiores entre os escravos socialistas do antigo Império Soviético. Similarmente, ao passo em que ocorriam comportamentos moralmente absurdos e violentos entre os escravos de propriedade privada após a sua emancipação, o embrutecimento da vida social após a abolição da escravatura socialista foi muito pior, revelando um grau até mesmo superior de degradação moral.

— Hans-Hermann Hoppe, no seu livro Democracia, o Deus que Falhou (capítulo 1)

sexta-feira, 9 de setembro de 2022